Turma de crianças com microcefalia começa inclusão na educação infantil

A Prefeitura de São João de Meriti criou uma iniciativa pioneira no Estado do Rio de Janeiro: uma turma especial para crianças com microcefalia expostas ao zika vírus. Elas estão matriculadas no Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE), na Escola Municipal Mariza Azevedo Catarino, no bairro Grande Rio.

O objetivo inicial do projeto, implementado no ano passado, era melhorar o desenvolvimento neurológico, psíquico e motor destas crianças, cujos pais não teriam condições de pagar por um atendimento de qualidade na rede particular. Quase dois anos depois, os resultados estão superando as expectativas. Dos 11 alunos da turma, cinco já iniciaram a inclusão na educação infantil. E os outros seis estão sendo preparados para iniciar esse processo. Mesmo os que já estão na escola regular continuam sendo atendidos individualmente, duas vezes por semana, no CAEE, por uma equipe multidisciplinar. E a cada 15 dias, são oferecidas oficinas e atividades pedagógicas para todo o grupo, como pintura, colagem, contação de histórias e trabalhos de habilidade motora.

Sempre com a presença dos pais, os pequenos recebem estímulos da psicopedagoga, fisioterapeuta e fonoaudióloga, além de outros profissionais. “Faço estimulação para auxiliar na oralidade e na deglutição, além de preparar para a fala”, explica a fonoaudióloga Andrea Panaro.

A assistente social Marta Vasconcelos faz o acompanhamento social das famílias. “As mães recebem orientações. Quem precisa de benefícios sociais, por exemplo, ajudamos a buscar seus direitos”, afirma.

A gestora do CAEE, Marcia Freitas, explica que o objetivo maior do projeto é garantir o sucesso da inclusão. “Muitas mães chegam aqui achando que seus filhos não vão poder frequentar uma escola e nós mostramos que isso é possível e necessário, além de estar previsto na Lei”, ressalta.

Suzana dos Santos de Oliveira Marques, mãe de Samuel, de 2 anos, conta que o tratamento no CAEE foi a porta de entrada para o filho na Escola Municipal Denise Cerqueira. “Antes eu tinha receio porque ele não aceitava colo de ninguém, só o meu. Depois que começaram as aulas, ele foi evoluindo com as atividades. Agora interage com a turminha e responde bem. A coordenação motora tem evoluído no tempo dele. Sinto-me abraçada e segura com esse projeto. A gente precisa provar que a escola pública é o melhor espaço para a criança”, diz.

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