“Hoje é um marco para a história da Baixada Fluminense em relação a desaparecidos”. Foi assim que Jovita Belfort, mãe de Priscila Belfort, desaparecida há 15 anos, definiu a ação realizada sobre o tema na Praça da Matriz, no Centro de São João, na manhã desta quarta-feira (27). Foi a primeira vez que a atividade aconteceu na região.
 
O evento foi uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura, Lazer, Direitos Humanos e Igualdade Racial e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, através da Coordenadoria de Pessoas Desaparecidas — criada este ano para ajudar na resolução dos casos.
 
“Agradeço por São João ter sido escolhida para sediar esse ato. É uma causa emocionante. Como pai, posso imaginar a dor que vocês, mães aqui presentes, sentem por não terem notícias de seus filhos”, disse o prefeito, Dr. João: “Para um atendimento mais humanizado, é importante que a Baixada tenha uma delegacia especializada. Temos na cidade o prédio onde funcionava a 64ª DP e que poderia ser transformado em uma Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA). O local é do Estado e eu vou conversar com o governador, Wilson Witzel, sobre isso. Vamos juntos tirar essa ideia do papel”.
 
A secretária estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Fabiana Bentes, comentou como é difícil para as famílias que têm desaparecidos:
 
“Quando uma pessoa desaparece, o percurso é muito penoso. Idas à delegacias, assistências, justiça… Assumi a secretaria e decidi criar a coordenadoria para ser mais um canal de ajuda. No estado do Rio, são 500 casos por mês. Um número muito alto. Quero frisar, também, a importância das crianças terem identidade. É fundamental que elas tenham o documento com foto para que, no caso de desaparecimento, seja mais fácil achá-la”.
 
Números na Baixada Fluminense são alarmantes
 
Segundo a delegada da DDPA da capital, Elen Souto, a região tem cerca de 14 pessoas desaparecidas por dia. Quatro a mais que a cidade do Rio, que contabiliza 10 casos.
“É um trabalho desafiador, mas possível de ser feito. Tenho uma equipe com pessoas vocacionadas, que trabalham há muito tempo com desaparecimentos, e tenho certeza de que a delegacia na Baixada sendo implementada, vamos conseguir realizar um serviço eficiente como fazemos no Rio, onde 80% dos casos são resolvidos”, contou ela.
 
O filho da dona de casa Lúcia Helena Lúcio Fernandes, de 48 anos, desapareceu no dia 27 de junho de 2015, no Parque Araruama, em São João.
“O Lucas tinha 16 anos na época. Ele estava na casa da namorada, saiu para o portão e nunca mais foi visto. As pessoas faziam comentários maldosos, mas meu filho não era envolvido com nada. Trabalhava, fazia academia e namorava em casa”, relatou: “Senti falta de empenho da polícia na época. Com uma delegacia só para desaparecidos na Baixada as famílias vão ter mais apoio”.
 
O evento contou, ainda, com a participação do secretário de Cultura, Lazer, Direitos Humanos e Igualdade Racial de São João, Marcelo Rosa, da juíza Dra. Raquel Chrispino, do superintendente da Polícia Rodoviária Federal, Alexandre Lessa, e da Fundação da Infância e Adolescência (FIA), que distribuiu panfletos com orientações sobre o que fazer quando crianças desaparecem e sobre a importância de práticas de prevenção de desaparecimentos.


Fotos: Beto Franzen

 

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